11 de janeiro de 2011

A Coruja Branca - Um Poema de Lêdo Ivo

A coruja branca

A Coruja Branca

Em minha casa entre as árvores ouço o rumor da noite.
O vento escorraça os astros crepitantes
As montanhas descem em direcção ao mar como rebanhos
que não tivessem esperado a licença da aurora para
a migração necessária.
E a erva cresce.
E a água corre.
E o mundo recomeça
como uma palavra interrompida.
E as nuvens caem do céu e rastejam no caminho danificado pelas chuvas de janeiro.
Um pio atravessa a folhagem murmurante.
A coruja branca, minha irmã sedentária,
vigia na escuridão o mundo abandonado
por tantas pálpebras fechadas.

Lêdo Ivo
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